
Celebrado em 22 de julho, o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio reforça a necessidade de conscientização da sociedade e do fortalecimento das ações de prevenção à violência contra as mulheres em Santa Catarina. A data também destaca iniciativas voltadas à compreensão desse tipo de crime e ao aperfeiçoamento das políticas públicas de proteção às vítimas.
Entre elas está o Mapa do Feminicídio de Santa Catarina, ferramenta desenvolvida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para reunir informações sobre os casos registrados no estado. O levantamento analisa ocorrências entre 2020 e 2024, com atualização dos números absolutos até 2025, permitindo identificar padrões e circunstâncias que auxiliam na formulação de estratégias de enfrentamento à violência de gênero.
Segundo o MPSC, o feminicídio é a forma mais extrema da violência contra a mulher e, na maioria dos casos, é precedido por sinais como ameaças, perseguições, agressões físicas, violência psicológica e controle da vida da vítima. A instituição destaca que reconhecer esses indícios e fortalecer a rede de proteção são medidas fundamentais para evitar que a violência evolua para o desfecho fatal.
Produzido pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), em parceria com o Escritório de Ciências de Dados Criminais (EDC) e o Setor de Dados Estruturados do MPSC, o mapa tem sido utilizado por pesquisadores, instituições e veículos de comunicação como ferramenta de apoio ao debate e à construção de políticas públicas.
De acordo com a coordenadora-geral do NEAVIT, promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, o objetivo é ampliar o conhecimento sobre a dinâmica dos feminicídios e contribuir para ações preventivas. Para ela, compreender os fatores que antecedem esses crimes ajuda a aperfeiçoar mecanismos de proteção e pode salvar vidas.
Além do levantamento estatístico, o Ministério Público iniciou, neste ano, um trabalho conjunto com a Polícia Científica para identificar crianças e adolescentes que perderam as mães em casos de feminicídio em Santa Catarina. A iniciativa busca facilitar o acesso desse público à rede de proteção, benefícios sociais e acompanhamento especializado.
Dados do MPSC apontam que 65,6% das vítimas de feminicídio eram mães e, desse total, 45,9% tinham filhos em comum com o agressor, evidenciando o impacto desses crimes sobre famílias inteiras.
O Ministério Público reforça que o enfrentamento ao feminicídio depende do envolvimento de toda a sociedade. Identificar sinais de violência, acolher vítimas, incentivar a denúncia e fortalecer os serviços de proteção são apontados como medidas essenciais para reduzir os casos e evitar novas mortes.
Fonte: Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

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