
A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) afirmou que a nova tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil e de outros 59 países deve ampliar os desafios enfrentados pelas indústrias catarinenses que exportam para o mercado norte-americano.
Segundo a entidade, a nova sobretaxa foi anunciada na quinta-feira (23) e, somada às tarifas já existentes, pode elevar em até 2,5 pontos percentuais a carga tarifária incidente sobre parte dos produtos brasileiros em relação a alguns concorrentes internacionais.
De acordo com a FIESC, embora o impacto imediato seja considerado moderado, a medida aumenta os custos para empresas brasileiras que disputam espaço no mercado norte-americano com fabricantes instalados nos próprios Estados Unidos.
O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, defendeu que o governo brasileiro priorize negociações diplomáticas para tratar da questão comercial com os Estados Unidos. A entidade também afirmou esperar que o governo federal avalie os desdobramentos antes de adotar eventuais medidas de reciprocidade tarifária.
Justificativa dos Estados Unidos
Conforme informado pela FIESC, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) justificou a adoção das novas tarifas com o argumento de que os países incluídos na medida tolerariam a circulação de produtos associados ao trabalho forçado.
Além do Brasil, a lista inclui países como Argentina, China, Israel, Japão e os integrantes da União Europeia. Segundo a entidade, as novas tarifas substituem uma cobrança de 10% anunciada em 2025 e posteriormente suspensa pela Suprema Corte norte-americana.
Impactos em Santa Catarina
A FIESC também divulgou estimativas sobre os efeitos das tarifas para a economia catarinense. Segundo a entidade, a primeira elevação tarifária, em 2025, resultou em queda de 38,2% nas exportações do estado para os Estados Unidos e impactou a geração de aproximadamente 7,6 mil empregos.
Ainda conforme a federação, com a nova medida, cerca de 54,5% do valor das exportações catarinenses para o mercado norte-americano passa a ser atingido pelas tarifas. A entidade informa ainda que 40,3% das vendas do estado aos Estados Unidos já estavam sujeitas às tarifas previstas na Seção 232 da legislação norte-americana.
A FIESC aponta que os setores mais afetados estão concentrados nas regiões Serrana, Oeste e Planalto Norte de Santa Catarina, que possuem participação relevante nas exportações para os Estados Unidos.
Programa de apoio às empresas
Segundo a federação, mais de 500 indústrias catarinenses receberam atendimento desde o início da aplicação das tarifas, com foco na busca por novos mercados internacionais. A entidade informou ainda que prepara uma nova etapa do Programa Destarifaço, voltado ao apoio de empresas impactadas pelas medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Fonte: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC).
